Batalha Naval Política: Como Governo e Oposição se movimentam nesse novo mar?

O Brasil enfrenta um fenômeno novo para toda uma geração. A primeira mudança forte de rumo político em 16 anos.

Embora o governo Temer surja de uma ruptura, dentro da ordem constitucional, as mudanças foram mais paulatinas e o governante mais discreto, representante que era de grupos tradicionais da política brasileira que estavam presentes há décadas no grupo majoritário.

Com a eleição de Jair Bolsonaro para, em suas palavras, “mudar isso aí”, classe política e analistas tiveram de reinterpretar este fenômeno. O que justificou esta mudança, o que realmente anseia a população, quais os pontos fortes e fracos deste novo governo?

A análise das manifestações populares nas redes sociais é uma das ferramentas mais ágeis e eficientes para começar a responder estas perguntas.  Como verificado em nosso estudo A Eleição das Redes Sociais, nos debates majoritários a posição política das redes reflete com bom grau de certeza posições gerais da população.

Por isto a Levels Inteligência, primeira startup de relações governamentais do Brasil, monitora diariamente o/os principal/principais debate político no Twitter.

Aqui cabe uma nota metodológica. Não é uma pesquisa de satisfação com o governo, de avaliação do nome do presidente, uma análise de sentimento pessoal sobre o governo, governante ou seu partido. Avaliamos a repercussão social sobre o fato de maior atenção política do dia, as principais tags em evidência.

É natural da lógica de bolhas ou clusters das redes sociais que os temas mais polêmicos gerem uma divisão entre a postura governista e de oposição, a qual é possível ver claramente quando analisa-se o mapa da rede de interações que se forma.

Estes movimentos tendem a ser extremamente voláteis, com uma curva diária de volume de interações que muito raramente sobrevive a uma boa noite de sono.

Também não são fruto do acaso. Todos os atores políticos tem interesses e influencia na rede. Governo, partidos de esquerda, veículos de imprensa, tentam diariamente pautar o debate a seu favor, buscando desgastar a imagem um do outro.

Pense como um jogo de Batalha Naval, uma tentativa-e-erro informada, com o disparo de ataques diários para encontrar as fragilidades do adversário.

Compilando o período de 07 a 18/01 foi possível entender de modo mais amplo este fenômeno. O estudo completo você consegue acessar ao final do artigo.

O twitter se mostrou uma plataforma de debates acirrados passível de ser dominada momentaneamente por quaisquer dos lados da política brasileira.

A alternância quase diária no grupo majoritário impede afirmar uma tendência de queda na popularidade, mas evidencia que aparentes quebras ou insuficiências em cumprir promessas de campanha abrem espaço para alegações de incoerência política.

Aqui se enquadram a promoção do filho de Mourão no Banco do Brasil, o Decreto das Armas visto como insuficiente por seus apoiadores e as críticas à Flávio Bolsonaro por recorrer ao STF no caso Queiroz – a maior fraqueza detectada no governo até o momento. Resta monitorar os próximos passos destes movimentos nos dias a seguir.

Ou seja, a base de apoio original de Bolsonaro segue sendo maioria na rede, porém tem se mostrado passível de abalos.

Resta ver se, com as últimas explicações do caso Queiroz-Flavio e o surgimento de novas pautas positivas do governo, será possível reverter esse ponto específico.

*O presente estudo foi objeto de matéria do Expresso Época
** A matéria acabou virando um natural batalha no twitter, com direito a acusações da família presidencial